No afã de entregar-se numa relação afetiva muitas pessoas acabam se despersonalizando, deixando de conhecer a si mesmo, seus gostos, suas preferências que ficam disfarçadas sob um romantismo de entrega onde o auto respeito e amor próprio são oferecidos irracionalmente, tornando-se um anexo da pessoa que ama, uma pequena extensão. Isto acontece devido ao medo que temos em manter uma relação e de perder as coisas boas que ela oferece. 

“Ela é tudo para mim”, Não vivo sem ele/ela”, “Ele é a coisa mais importante para mim” são frases que requerem certo cuidado e um alerta! A sociedade de alguma forma ensinou que o verdadeiro amor autêntico vem carregado de dependências, obediência e subordinação que caracteriza um estilo de viver não recomendável para nossa saúde mental. Esta dependência patológica interpessoal dificulta a tomada de decisão mesmo quando a relação já não está mais saudável e as pessoas não conseguem por um fim nela. É um verdadeiro apego emocional que não nos damos conta do quanto permitimos sofrer sem conseguir dar um basta!


No consultório muitas vezes ouvimos relatos desastrosos de relações intoxicadas há anos e no fim sempre vem o mesmo discurso “mas eu o amo…” amar outra pessoa não deve nunca permitir deixar de se amar primeiramente a si mesmo respeitando sempre a individualidade de cada um. Interessante como as pessoas perdem isso ao casar, são poucos casais que respeitam os interesses e ações de seus cônjuges, achando que devem sempre sair juntos e fazer tudo acompanhado. Lembre-se que somos antes de tudo seres individuais e que crescemos formando uma identidade inclusive social, o fato de unir-se em um relacionamento jamais deveria acontecer o que a maioria acaba fazendo, se isolando numa vida a dois e quando menos esperamos estamos vivendo uma dependência afetiva do outro.

As reestruturações afetivas e revoluções interiores quando são verdadeiras são dolorosas e a dependência afetiva não foge a regra, para se trabalhar casos assim devemos reforçar o autocontrole para lidar com sentimentos de urgência e vontade de ter o outro perto. Parecido ocorre com outros vícios como comida e sexo, onde devemos identificar tal dependência para aprender a controlar o impulso e lidar com melhores estratégias e recursos internos de autoestima e respeito que facilitarão se livrar do problema. DETALHE, tudo isso deverá ser feito sem deixar de sentir o que sente pela outra pessoa! Deve-se trabalhar o impulso porque sabe que não lhe serve mais. Este fator protetivo será o precursor de um novo comportamento mais saudável prevendo uma libertação deste apego irracional emocional.


Quando identificamos o apego emocional precisamos no livrar o quanto antes!

Psicólogo Rafael Garcia Oliveira