Desejo não pode ser confundido com dependência afetiva e apego excessivo. É natural termos desejo pela pessoa que amamos, o que configura a doença é a incapacidade de conseguir sair de uma relação que faz mal. Desejar alguma coisa com todas nossas forças é vital, mas tornar imprescindível não viver sem isso já se torna doentio.
Por trás de toda dependência há medo e junto com ele está à incapacidade de lidar com algo, ou seja, se sou incapaz de tomar conta de mim mesmo terei medo de ficar só e me apegarei a alguma coisa segura disponível configurando nossas compulsões, obsessões, ter alguém como bengala. O apego é a muleta preferida do medo.
O prazer de ser amado deve ser sentido, saboreado, vivenciado, todos merecemos isso na vida, aproveitando ao máximo o que uma relação saudável pode proporcionar. É preciso fortalecer a capacidade de se liberar quando for necessário, saber como uma relação funciona e curtir ao máximo.
Nem amor, nem apego devem ser excessivos, e às vezes os confundimos. É preciso se desapegar para não sofrer!
Independência afetiva significa termos condições de lidar com a falta do outro, não que isso se confunda com indiferença, jamais. Significa dizer não a posse, respeitar a individualidade de cada um, dizer não a dependência. Ser afetivamente livre promove afeto sem opressão, distanciando do que é prejudicial para algo com ternura. 
Não vivemos sem afeto, mas podemos amar os outros sem nos escravizarmos. Amor é ausência do medo!
Por que será que sofremos quando o outro não se angustia com nossa falta? E como ficamos quando não demonstram certo ciúme? Será que realmente estamos preparados para uma relação de não dependência? 
É fundamental aprender a amar a si próprio para se lançar no amor maduro, com responsabilidade e afeto de qualidade. O desafio é grande, mas acreditamos que cada um em seu tempo poderá se desenvolver para relações criativas e proveitosas em suas vidas.

Psicólogo Rafael Garcia Oliveira