Todos nós possuímos as vinte e quatro Forças de Caráter relacionadas por Martin Seligman e Christopher Peterson em seus estudos. O que nos diferencia – e todos somos diferentes – é a sequência em que estas forças se apresentam em nossa personalidade e a intensidade com que manifestamos cada uma delas.

As Forças de Caráter, conforme afirma Seligman em seu livro Felicidade Autêntica, são caminhos distintos para alcançar as seis virtudes ubíquas, ou seja, aquelas qualidades que todos consideram virtuosas em todas as partes do mundo e em todas as épocas da história, que são universais, onipresentes. Além disso, ao contrário das virtudes, que são abstratas, as Forças de Caráter são mensuráveis e passíveis de serem adquiridas.

Existem instrumentos de detecção e medição destas características, e cada vez mais gente já ouviu falar no teste VIA (Institute On Character), que é gratuito e pode ser feito pela Internet (faça o seu: http://www.viame.org). Este teste apresenta ao usuário um questionário, e ao final traz como resultado uma lista das vinte e quatro forças na sua sequência pessoal.

Mas, se pararmos pra pensar, nos convencemos de que é óbvio que estes potenciais transpareçam em nosso cotidiano, basta sabermos percebê-los.

Com um pouco de treino é possível nos tornarmos capazes de supor ou até deduzir algumas das Forças de Caráter de alguém apenas prestando atenção em alguns detalhes de seu comportamento, sua personalidade, suas preferências.

Geralmente gostamos de alguma coisa porque nos identificamos com ela. Seja o personagem de um filme, uma obra de arte ou um meio ambiente. Logo, se desenvolvermos a habilidade de observar o gosto pessoal de um cliente ou paciente (ou o nosso mesmo, a caminho do autoconhecimento), será possível colher indícios de suas Forças de Caráter.

Através da letra de uma música, por exemplo. O que ela diz? Qual o estilo do discurso? Que padrões de pensamento, sentimento e atitude ela desvenda? À descrição de qual Força de Caráter ela mais se aproxima?

Nos próximos artigos vamos falar detalhadamente de cada uma das forças, associando-as a conhecidas canções populares e analisando suas letras à luz da Psicologia Positiva.

Este é o exercício que proponho aos leitores desta coluna; um exercício que pode se tornar bastante agradável, divertido, entusiasmante.

Como resultado, estaremos aperfeiçoando em nós a prática de extrair informações úteis das músicas que as pessoas gostam de ouvir. Qualquer que seja nossa tarefa profissional – psicólogo, assistente social, pedagogo etc –, se lidamos com seres humanos com o intuito de ajudá-los, é sempre bem vinda a oportunidade de compreendê-los além da superfície.

Naturalmente seria muita coincidência que um cliente nosso citasse exatamente a música utilizada aqui neste estudo. Existem milhares, talvez milhões de composições dos mais variados estilos e gêneros, e o gosto musical é bastante influenciado ainda pelo meio ambiente, pela educação e até por conteúdos inconscientes não facilmente explicáveis.

Farei um esforço de trazer como exemplo obras de artistas variados, de procedências diversas, antigas e atuais, mas sempre suficientemente conhecidas para que os leitores já tenham, pelo menos, alguma referência a respeito delas. A sequência em que os assuntos serão abordados será aleatória, conforme a inspiração; não adotarei ordem alfabética, até porque por motivos de tradução as forças recebem nomes diferentes em fontes diversas. E não manterei a mesma sequência usada por Seligman, para que os temas possam ser mais variados, tornando a leitura mais interessante, e também porque os vínculos entre forças e virtudes divergem em alguns autores.

Além das associações com Forças de Caráter, na medida do possível procurarei fazer também menção a outros conceitos da Psicologia Positiva que se apliquem ao argumento.

Acredito, enfim, que as principais vantagens deste exercício serão, no mínimo, ampliar nossa compreensão de cada uma das Forças de Caráter; ajudar-nos a memorizar cada uma delas; e a criação de um hábito de escuta musical com análise de seus significados, que poderá contribuir de forma certeira no consultório, na sala de aula, na empresa ou em qualquer outra situação de contato humano na qual estejamos aplicando os conhecimentos desta nova ciência que é a Psicologia Positiva.

Flávio Fonseca

Flávio Fonseca

Psicoterapeuta, pós-graduado em Psicologia Junguiana pelo IJEP/Facis, com estudos em Filosofia e Espiritualismo, realiza palestras sobre temas ligados ao pensamento e autoconhecimento, e é Facilitador do Jogo da Transformação, credenciado pela Innerlinks-Taygeta.

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